"Ano Santo da Misericórdia"

"Misericordiosos como o Pai" (Papa Francisco)

"Toda vocação é uma graça"

"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto" (Jo 12, 24)

Vem e segue-me

"E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens. No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram" (Mt 4, 19-20)

Alegria em servir a Deus !

"Se nos comportarmos como filhos de Deus,sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, cheia de serenidade e de alegria" (Papa Francisco).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Carta do PAPA BENTO VI para o 48° DIA MUNDIAL PELAS VOCAÇÕES

LEIGOS DEVEM PROMOVER AS VOCAÇÕES EM SUAS COMUNIDADES.



Cidade do Vaticano, 10 fev (RV) - Foi divulgada a Mensagem do Santo Padre para o 48º Dia mundial de oração pelas vocações, que este ano tem como tema "Propor as vocações na Igreja local". Publicamos abaixo o texto na íntegra, assim como publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé. 


Queridos irmãos e irmãs!
O 48.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no dia 15 de Maio de 2011, IV Domingo de Páscoa, convida-nos a refletir sobre o tema: «Propor as vocações na Igreja local». Há sessenta anos, o Venerável Papa Pio XII instituiu a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais. Depois, em muitas dioceses, foram fundadas pelos Bispos obras semelhantes, animadas por sacerdotes e leigos, correspondendo ao convite do Bom Pastor, quando, «ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor» e disse: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Mt 9, 36-38).

A arte de promover e cuidar das vocações encontra um luminoso ponto de referência nas páginas do Evangelho, onde Jesus chama os seus discípulos para O seguir e educa-os com amor e solicitude. Objeto particular da nossa atenção é o modo como Jesus chamou os seus mais íntimos colaboradores a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 9). Para começar, vê-se claramente que o primeiro ato foi a oração por eles: antes de os chamar, Jesus passou a noite sozinho, em oração, à escuta da vontade do Pai (cf. Lc 6, 12), numa elevação interior acima das coisas de todos os dias. A vocação dos discípulos nasce, precisamente, no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. As vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada são fruto, primariamente, de um contacto constante com o Deus vivo e de uma oração insistente que se eleva ao «Dono da messe» quer nas comunidades paroquiais, quer nas famílias cristãs, quer nos cenáculos vocacionais.

O Senhor, no início da sua vida pública, chamou alguns pescadores, que estavam a trabalhar nas margens do lago da Galiléia: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens» (Mt 4, 19). Mostrou-lhes a sua missão messiânica com numerosos «sinais», que indicavam o seu amor pelos homens e o dom da misericórdia do Pai; educou-os com a palavra e com a vida, de modo a estarem prontos para ser os continuadores da sua obra de salvação; por fim, «sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai» (Jo 13, 1), confiou-lhes o memorial da sua morte e ressurreição e, antes de subir ao Céu, enviou-os por todo o mundo com este mandato: «Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações» (Mt 28, 19).

A proposta, que Jesus faz às pessoas ao dizer-lhes «Segue-Me!», é exigente e exaltante: convida-as a entrar na sua amizade, a escutar de perto a sua Palavra e a viver com Ele; ensina-lhes a dedicação total a Deus e à propagação do seu Reino, segundo a lei do Evangelho: «Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24); convida-as a sair da sua vontade fechada, da sua idéia de auto-realização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela; faz-lhes viver em fraternidade, que nasce desta disponibilidade total a Deus (cf. Mt 12, 49-50) e se torna o sinal distintivo da comunidade de Jesus: «O sinal por que todos vos hão-de reconhecer como meus discípulos é terdes amor uns aos outros» (Jo 13, 35).

Também hoje, o seguimento de Cristo é exigente; significa aprender a ter o olhar fixo em Jesus, a conhecê-Lo intimamente, a escutá-Lo na Palavra e a encontrá-Lo nos Sacramentos; significa aprender a conformar a própria vontade à d’Ele. Trata-se de uma verdadeira e própria escola de formação para quantos se preparam para o ministério sacerdotal e a vida consagrada, sob a orientação das autoridades eclesiásticas competentes. O Senhor não deixa de chamar, em todas as estações da vida, para partilhar a sua missão e servir a Igreja no ministério ordenado e na vida consagrada; e a Igreja «é chamada a proteger este dom, a estimá-lo e amá-lo: ela é responsável pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais» (JOÃO PAULO II, Exorto. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 41). Especialmente neste tempo, em que a voz do Senhor parece sufocada por «outras vozes» e a proposta de O seguir oferecendo a própria vida pode parecer demasiado difícil, cada comunidade cristã, cada fiel, deveria assumir, conscientemente, o compromisso de promover as vocações. É importante encorajar e apoiar aqueles que mostram claros sinais de vocação à vida sacerdotal e à consagração religiosa, de modo que sintam o entusiasmo da comunidade inteira quando dizem o seu «sim» a Deus e à Igreja. Da minha parte, sempre os encorajo como fiz quando escrevi aos que se decidiram entrar no Seminário: «Fizestes bem [em tomar essa decisão], porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade» (Carta aos Seminaristas, 18 de Outubro de 2010).

É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à pastoral vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os adolescentes e os jovens – como Jesus fez com os discípulos – para maturarem uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações. «Propor as vocações na Igreja local» significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida.

Dirijo-me particularmente a vós, queridos Irmãos no Episcopado. Para dar continuidade e difusão à vossa missão de salvação em Cristo, «promovam o mais possível as vocações sacerdotais e religiosas, e de modo particular as missionárias» (Decr. Christus Dominus, 15). O Senhor precisa da vossa colaboração, para que o seu chamamento possa chegar aos corações de quem Ele escolheu. Cuidadosamente escolhei os dinamizadores do Centro Diocesano de Vocações, instrumento precioso de promoção e organização da pastoral vocacional e da oração que a sustenta e garante a sua eficácia. Quero também recordar-vos, amados Irmãos Bispos, a solicitude da Igreja universal por uma distribuição equitativa dos sacerdotes no mundo. A vossa disponibilidade face a dioceses com escassez de vocações torna-se uma bênção de Deus para as vossas comunidades e constitui, para os fiéis, o testemunho de um serviço sacerdotal que se abre generosamente às necessidades da Igreja inteira.

O Concílio Vaticano II recordou, explicitamente, que o «dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamente cristã» (Decr. Optatam totius, 2). Por isso, desejo dirigir uma fraterna saudação de especial encorajamento a quantos colaboram de vários modos nas paróquias com os sacerdotes. Em particular, dirijo-me àqueles que podem oferecer a própria contribuição para a pastoral das vocações: os sacerdotes, as famílias, os catequistas, os animadores. Aos sacerdotes recomendo que sejam capazes de dar um testemunho de comunhão com o Bispo e com os outros irmãos no sacerdócio, para garantirem o húmus vital aos novos rebentos de vocações sacerdotais. Que as famílias sejam «animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade» (Ibid., 2), capazes de ajudar os filhos e as filhas a acolherem, com generosidade, o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada. Convictos da sua missão educativa, os catequistas e os animadores das associações católicas e dos movimentos eclesiais «de tal forma procurem cultivar o espírito dos adolescentes a si confiados, que eles possam sentir e seguir de bom grado a vocação divina» (Ibid., 2).
Queridos irmãos e irmãs, o vosso empenho na promoção e cuidado das vocações adquire plenitude de sentido e de eficácia pastoral, quando se realiza na unidade da Igreja e visa servir a comunhão. É por isso que todos os momentos da vida da comunidade eclesial – a catequese, os encontros de formação, a oração litúrgica, as peregrinações aos santuários – são uma ocasião preciosa para suscitar no Povo de Deus, em particular nos mais pequenos e nos jovens, o sentido de pertença à Igreja e a responsabilidade em responder, com uma opção livre e consciente, ao chamamento para o sacerdócio e a vida consagrada.
A capacidade de cultivar as vocações é sinal característico da vitalidade de uma Igreja local. Invoquemos, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir no âmbito de cada comunidade a disponibilidade para dizer «sim» ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua messe. Com estes votos, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica".

Vaticano, 15 de Novembro de 2010.

FONTE SITE DO VATICANO

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Congresso Continental de Vocações acontece na Costa Rica


CNBB


Começou nesta segunda-feira, 31, e segue até o próximo sábado, 5 de fevereiro, o 2º Congresso Continental de Vocações da América Latina, realizado em Cartago, na Costa Rica. O objetivo central do encontro é reforçar a cultura de vocações para o batizado ser incentivado a viver o ser discípulo e missionário de Cristo, nas circunstâncias atuais do continente.

Convocado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) através do Departamento de Vocações, com coordenação da Conferência Episcopal da Costa Rica, o encontro, que reúne 400 pessoas, é uma resposta aos desafios impostos pelo Documento de Aparecida (DAp) e destina-se a estimular a reflexão dos participantes sobre a importância da vocação e dar força ao processo de discernimento. O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, padre Reginaldo de Lima, participa do encontro.

O Bispo auxiliar de Guadalajara e secretário geral do Celam, Dom José Leopoldo González, disse que o encontro é importante para lembrar que todos têm uma vocação específica e que estão destinadas a ela. “O encontro é importante para voltar à natureza da vocação e reconhecer que estamos destinados a uma vocação específica com o objetivo da santidade. O discernimento vocacional é essencial para fortalecer e renovar-nos para que possamos contagiar outras pessoas através do testemunho de vida”, sublinhou.






Fonte: Canção Nova

Mensagem do Papa aos participantes do Congresso sobre Vocações


Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
(tradução de Gracielle reis - equipe CN Notícias)


Queridos irmãos no Episcopado
Amados presbíteros,
religiosas, religiosos e fiéis leigos
Próximo de se completar os 17 anos do I Congresso Continental Latinoamericano sobre as Vocações, convocado pela Santa Sé, em estreita colaboração com o Conselho Episcopal Latinoamericano e a Confederação de Religiosos. Aquele evento significou uma importante ocasião para relançar, em todo o continente a Pastoral Vocacional.
O presente Congresso, que acontece em Cartago, na Costa Rica, é uma inciativa dos bispos responsáveis da Pastoral Vocacional da América Latina e Caribe, com a qual se pretende seguir o caminho já iniciado, no contexto desse grande impulso missionário promovido pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida (Documento Final, 548). A grande tarefa da evangelização requer um número crescente de pessoas que respondem com generosidade ao chamado de Deus e entreguem a vida pela causa do Evangelho. A atividade missionária mais incisiva traz frutos preciosos, juntamente ao fortalecimento da vida cristã em geral, o aumento das vocações de especial consagração. De alguma forma, a abundância de vocações é um sinal eloquente da vitalidade eclesial, bem como a forte vivência da fé por todos os membros do povo de Deus. 
A Igreja, no mais íntimo do seu ser, tem uma dimensão vocacional, implícita em seu significado etimológico: “assembleia convocada” por Deus. A vida cristã participa também desta mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja. Na alma de cada cristão ressoa sempre de novo aquele "segue-me" de Jesus aos apóstolos, que mudou para sempre suas vidas (cf. Mt 4, 19).
No segundo Congresso, que tem como tema "Mestre, em atenção a tua Palavra, lançarei as redes" (Lc 5, 5), os distintos agentes da Pastoral Vocacional da Igreja na América Latina e no Caribe tem se reunido com o objetivo de fortalecer a Pastoral, de modo que os batizados asssuma seu chamado de discípulos e missionários de Cristo, nas circunstâncias atuais destas amadas terras. A este respeito, o Concílio Vaticano II afirma que "toda a comunidade cristã tem o dever de fomentar as vocações e deve, procurá-lo, antes de tudo, com uma vida plenamente cristã" (Optatam totius, 2). A Pastoral Vocacional deve ser totalmente inserida no conjunto das pastorais em geral e com uma presença capilar em todos as pastorais concretos (cf. V Conferência Geral de Aparecida, documento final, 314). A experiência mostra que, onde houver um bom planejamento e uma prática constante da Pastoral Vocacional, as vocações não faltam. Deus é generoso e igualmente generoso deve ser o empenho da Pastoral em todas as Igrejas particulares.
Entre os muitos aspectos que poderiam ser consideradas para o cultivo das vocações, gostaria de salientar a importância de cuidar da vida espiritual. A vocação não é o resultado de qualquer projeto humano ou de uma hábil estratégia organizativa. Na sua realidade mais profunda, é um dom de Deus, uma iniciativa misteriosa e inefável do Senhor, que entra na vida de uma pessoa cativando-a com a beleza do seu amor e suscitando, consequentemente, uma entrega total e definitiva a esse amor divino (cf. Jo 15, 9.16). Tenha sempre presente a primazia da vida espiritual como a base de toda a programação pastoral. É necessário oferecer às jovens gerações a oportunidade de abrir seus corações para uma realidade maior: Cristo, o único que pode dar sentido e plenitude a sua vida. Precisamos superar nossa auto-suficiência e ir com humildade ao Senhor, implorando-lhe para continuar chamando a muitos. Mas, ao mesmo tempo, o fortalecimento de nossa vida espiritual deve nos levar à identificação cada vez maior com a vontade de Deus e oferecer um testemunho mais limpo e transparente de fé, esperança e caridade. 
De fato, o testemunho pessoal e comunitário para uma vida de amizade e intimidade com Cristo, em devoção plena e feliz a Deus, ocupa um lugar de primeira ordem no trabalho de promoção das vocações. O testemunho fiel e alegre da própria vocação tem sido e é um excelente meio para despertar em tantos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo. E junto a isso, a coragem de propor-lhe com delicadez e respeito a possibilidade de que Deus também os chame. Muitas vezes, a vocação divina abre espaço através de uma palavra humana ou através de um ambiente em que se experimenta uma fé viva. Hoje, como sempre, os jovens "são sensíveis ao chamado de Cristo que os convida a seguir " (Discurso proferido na sessão de abertura da V Conferência Geral de Aparecida, 13 de maio, 2007). O mundo precisa de Deus e, por isso, sempre terá a ncessidade de pessoas que de vivam para Ele e que O anunciem aos outros (cf. Carta aos seminaristas, 18 de outubro de 2010).
A preocupação com as vocações ocupa um lugar especial no meu coração e minhas orações. Peço, então, queridos irmãos e irmãs, que se consagrem com todas as suas forças e talentos a esta apaixonate e urgente tarefa, que o Senhor saberá recompensar generosamente. Imploro sobre os organizadores e participantes do Congresso a intercessão da Virgem Maria, verdadeiro modelo de resposta generosa à iniciativa de Deus, ao mesmo tempo que concedo uma especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 21 de janeiro de 2011