terça-feira, 26 de março de 2013

JOVENS ENCRAVADOS NA PAIXÃO DE JESUS

A Campanha da Fraternidade deste ano tem oferecido à Igreja uma importante realidade para meditação, a juventude. Infelizmente, não é raro observar que nos lábios de muitos líderes religiosos sobram palavras e faltam ações e testemunhos concretos a esse respeito. A própria juventude está cansada de palavrórios e da falta de encanto demonstrada por alguns líderes, sempre tão ocupados e distantes. A juventude necessita de modelos autênticos para não cair no abismo de contradições dessa sociedade hipócrita na qual vivemos. Mas a quem seguir? A quem ouvir quando palavras tão bonitas são contestadas por vidas tão deprimentes? Como um jovem seminarista também eu constato com pesar essa triste realidade. Não é por acaso que muitos jovens não se sentem interessados quando o assunto é igreja. Certamente, não podemos ser ingênuos em pensar que toda responsabilidade deve recair sobre a própria Igreja. No fim a Igreja é cada um de nós, eu e você. Há toda uma conjuntura social que acelera a desagregação familiar e religiosa e favorece o crescimento do individualismo e do relativismo moral. Apesar desses fatores, devemos reconhecer na paixão de Jesus que temos feito pouco, muito pouco frente àquilo que o Senhor nos confiou.
O que devemos fazer? Diante do drama e de possíveis decepções religiosas é grande a tentação de sucumbir, desanimar e desesperar. Contudo, pela fé é que encontramos a resposta por excelência – não nos esqueçamos como diz a Carta aos Hebreus "a fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem" (Hb 11,1). E então o que devemos fazer? Devemos olhar para Jesus Cristo crucificado e contemplar sua paixão, morte e ressurreição.
O profeta Isaias nos ajuda a contemplar a face desfigurada daquele que não poupou a própria vida por amor a nós "não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar. Era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor [...] E, no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava" (Is 53,2-4).
Ele, o Amor crucificado, o Cordeiro inocente que assumiu nossas maldades para nos livrar da escravidão do pecado e devolver a nós jovens a grandeza de sonhar.
Não é suficiente olhar para Jesus crucificado, para alguns a cruz hoje se tornou banal, um objeto de decoração que certos cantores e personagens da moda utilizam sem nenhuma devoção. Para além do olhar é preciso meditar a paixão de Jesus, entrar com Ele no calvário, sofrer as suas dores, recobrar a sensibilidade e permitir que as lágrimas voltem a rolar num rosto que não pode ser indiferente à injustiça cometida contra tão inocente Senhor.
Jesus é o modelo que nós jovens devemos seguir. Somente um jovem encravado na sua paixão pode superar o palavrório e o desencanto religioso. A partir do encontro com Jesus Cristo vidas foram transformadas e santos foram forjados. São Francisco de Assis escutou a voz do Senhor que lhe pediu para reconstruir Sua Igreja e fiel à Santa Igreja passou a viver o encontro com Cristo nos pobres, no desapego dos bens materiais e na simplicidade de vida. Madre Teresa de Calcutá escutou a voz do Senhor Jesus que dizia "Tenho sede!", voz do Senhor que ecoa naqueles que sofrem neste mundo. O Senhor Jesus continua a falar, é preciso silenciar o coração e meditar sua paixão para ouvir sua voz. Desejo neste tempo que o pedido de São Francisco de Assis também seja o nosso, "Senhor que queres que eu faça?". Não tenhamos medo do apelo de Deus, pois o Senhor sustenta aqueles que n’Ele confiam. Que Nossa Senhora das Dores nos ajude a confiar em Jesus, Ele que nunca nos decepciona e que ressuscita nossos sonhos!
Paulo Henrique de Alencar
Seminarista da Arquidiocese de Londrina

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